Seis jovens decidiram fazer parte da solução — e nasceu a Colmeia
Publicado a 22 de setembro de 2026 na Colmeia 360

Sem investidores, sem garantias e sem certezas de que daria certo, seis jovens moçambicanos passaram mais de um ano a transformar inquietação em trabalho. Hoje apresentam a Colmeia com uma ambição simples: ajudar pessoas, empresas e oportunidades a encontrarem-se melhor.
Há histórias que começam com financiamento, um grande investidor ou uma ideia apresentada num palco. Esta começou de forma mais simples: seis jovens incomodados com problemas que viam todos os dias.
No* MDI TecHub,* essa inquietação não nasceu de uma conversa abstracta. Ao participarem em capacitações, feiras de emprego, marketplaces, Business Plan Competitions, hackathons e processos de incubação e aceleração de startups, os seis conviveram de perto com diferentes lados do mesmo ecossistema: jovens à procura de oportunidades, empresas à procura de soluções, empreendedores a tentar transformar ideias em negócios e instituições a lançar iniciativas que nem sempre chegam a quem mais precisa.
Foi dessa convivência que surgiu uma pergunta aparentemente simples:
E se existisse um lugar onde pessoas, empresas, talentos, oportunidades, recursos e soluções pudessem encontrar-se com mais facilidade?
Seis percursos, uma inquietação comum
A equipa junta Reizen dos Santos, Allan Momade, Kenny Bernardo, Isaac Hamido, Aissata Bass e Virginia Muleia. Quatro vêm da informática, do desenvolvimento de software e das startups; dois trazem conhecimentos de empreendedorismo, business, marketing, gestão, administração e finanças.
Mas, antes da Colmeia, alguns deles já tinham os seus próprios projectos e sonhos.
Isaac e Aissata estudavam empreendedorismo, negócios, gestão, finanças e marketing. Trouxeram para a equipa perguntas essenciais: a tecnologia seria realmente útil? As pessoas conseguiriam utilizá-la? Como transformar uma boa solução num projecto sustentável, _confiável _e próximo da realidade moçambicana?
Aissata recorda uma aprendizagem fundamental: uma boa ferramenta só tem valor quando consegue aproximar pessoas e instituições que normalmente caminham separadas.
Isaac, por sua vez, percebia que muitas boas iniciativas moçambicanas acabam por se perder — não necessariamente por falta de qualidade, mas por falta de confiança, visibilidade e conhecimento entre quem procura e quem pode oferecer apoio, recursos ou oportunidades.
Reizen, que assumiu a liderança técnica da equipa, descobriu que construir melhor nem sempre significava acrescentar mais funcionalidades. Muitas vezes, significava simplificar, retirar, ouvir, corrigir e recomeçar.
Virginia, estudante do Departamento de Matemática e Informática da Universidade Eduardo Mondlane, já pensava numa plataforma dedicada ao emprego e à divulgação de vagas. Conhecia de perto a dificuldade de muitos jovens em descobrir oportunidades a tempo e de as empresas encontrarem os perfis de que realmente precisam.
Kenny, depois de concluir a sua formação na Índia, trabalhava numa solução para enfrentar os elevados custos e a limitada disponibilidade de meios de transporte para a agricultura. A sua visão era criar uma nova dinâmica logística, capaz de ligar produtores, transportadores e outros intervenientes de forma imediata, sustentável e competitiva.
Allan, formado em Chipre, sonhava desenvolver uma solução para impulsionar o turismo em Moçambique. No seu trabalho de conclusão do curso, já havia explorado a utilização da inteligência artificial na automatização do atendimento público em grande escala.
As diferenças entre os seis tornaram-se, assim, a sua maior força: enquanto uns perguntavam “como podemos construir?”, outros perguntavam “para quem estamos a construir, que problema estamos realmente a resolver e como podemos aproximar quem ainda caminha separado?”
A escolha de colocar um sonho comum em primeiro lugar
A Colmeia não nasceu por falta de outras ideias. Nasceu porque os seis decidiram colocar os seus projectos individuais em pausa e concentrar talentos, tempo e energia numa única solução.
Não abandonaram os seus sonhos. Perceberam que poderiam regressar a eles mais tarde — talvez até com melhores condições e dentro de um ecossistema mais conectado. Mas, naquele momento, sentiram que havia uma prioridade maior: tentar construir algo que pudesse apoiar não apenas um sector, mas diferentes partes da sociedade e da economia moçambicana.
Foi uma escolha feita com humildade: reconhecer que nenhum deles tinha sozinho todas as respostas.
Foi feita com inteligência: juntar tecnologia, negócios, gestão, marketing e conhecimento da realidade.
E foi sustentada por dedicação, disciplina, persistência, perseverança e fé — mesmo quando ainda não existiam garantias de que alguém utilizaria aquilo que estavam a construir.
Mais de um ano, sem garantias
Foram mais de doze meses de trabalho, dúvidas, testes, erros, correcções e noites longas, conciliando estudos, procura de emprego e responsabilidades pessoais.
Não foi um percurso feito apenas de talento. Exigiu a humildade de ouvir críticas, a coragem de reconhecer falhas e a disciplina de continuar quando o entusiasmo inicial já não era suficiente.
Durante muito tempo, não havia investidores, financiamento ou garantias de que o projecto daria certo. Ainda assim, continuaram — talvez porque conseguiram reunir três coisas que raramente aparecem juntas: optimismo para acreditar, realismo para aceitar que podiam falhar e disciplina para continuar mesmo assim.
A Colmeia nasce com uma ambição simples: ajudar pessoas, empresas, profissionais, investidores e instituições a encontrarem-se melhor dentro do ecossistema moçambicano.
A equipa não promete resolver o desemprego, a falta de financiamento ou todos os problemas do país. Seria pretensioso. Diz apenas:
“Construímos algo em que acreditamos. Agora precisamos que a sociedade experimente e nos diga se realmente é útil.”
Deram ao projecto um nome muito moçambicano: Colmeia — porque nenhuma colmeia se constrói sozinha. Cada membro tem o seu talento, cada contribuição tem valor e é da ligação entre todos que nasce algo maior.
Agora, a palavra passa para a sociedade
Os seis jovens não estão a pedir aplausos. Estão a pedir utilização, crítica e colaboração.
A empresários, profissionais, universidades, instituições financeiras, Governo, fundações, investidores e outros jovens, deixam um convite simples:
Entrem. Experimentem. Digam o que funciona. Digam o que não funciona. Mostrem-nos o que falta.
A Colmeia ainda não é uma história de sucesso. É uma história de jovens que decidiram começar, aprender e melhorar com a sociedade.
Talvez o desenvolvimento também comece assim: menos espera por quem deve resolver — e mais talentos dispostos a cooperar, criar sinergias e fazer parte da solução.
Conhecer e experimentar a Colmeia:
https://colmeia.mocambique.app/